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Popular

Se puder fazer com que minha vida se pareça a um livro ou a um filme, escolherei o primeiro. Não porque eu seja um desses cults que torcem o nariz para adaptações cinematográficas, ao contrário, vi muito mais filmes de livros do que os li. Claro que me entretive bastante com muitos deles, por volta de 120 minutos. Um tipo de pessoa que é exatamente como produções mainstream insiste em ganhar espaço: as populares. Há quem faça sucesso por ter qualidades especiais e aqui não quero medir o quão trivial seja esse predicado, nem dizer que um cientista que descobre a cura para uma grave doença deveria ser mais aplaudido que uma boa cantora.

Estou falando dos populares de redes sociais, escolas ou comunidades e sobre o que leva alguém a querer ser o centro das atenções para pessoas tão ou mais patéticas do que ele. Como não tem nada especial a oferecer, elas criam uma imagem atrativa, entretanto, dificilmente conseguem manter um público fiel. Quando não viram motivos de chacota, comparável à “A lagoa azul”, apenas caem no esquecimento após cansar-se de mendigar que sejam apreciadas pelo que parecem ser, por quem nem se importa de verdade. Dormem contando as curtidas, seguidores, planejando como ganhará mais visibilidade, enquanto fantasiam ser desejadas por outras que também só querem ampliar seu contador pessoal. É evidente que um filme pode ser tão bom que mereça ser repetido, mas sempre é esquecido na estante.

Essa atitude na Internet é a mesma em escolas e na sociedade em geral, apenas ampliada pelo poder do semianonimato, manipulação da verdade, Photoshop. Outro método muito utilizado, sobretudo, no colégio, é formar grupos com colegas cuja união passa longe de ser uma amizade, mas uma empatia de inseguranças, covardias e falta de personalidade. Mexeu com um, mexeu com todos, só porque é mais seguro assim. Proteção e popularidade que se distanciam da auto-estima justamente pela consciência de que não são merecedores de fato, mas por conquista forçada. É um comportamento normalmente autodestrutivo.

Por isso mesmo, as pessoas populares, embora muitas vezes pareça o contrário, quase nunca conseguem alcançar o seu objetivo real, que é serem amadas. Laços afetivos não são construídos com pressa e essa talvez seja a maior de sua ingenuidade. Não me parece inteligente perder tempo para agradar a quem não devemos nada e, ao mesmo tempo, descuidar de quem quer ser uma personagem importante em nossas páginas. Um filme leva uma história sintetizada para uma massa superficial. Um livro é mais denso e para pouca gente. Pode até ser agoniante ver que obras literárias não chegam a fazer o sucesso estrondoso de algumas películas, mas, pense, um livro muitas vezes vira filme, dificilmente um filme viraria livro. É aí que está a graça.