Carta #235

Ei, Doce.

Desculpa o mal jeito, mas hoje eu não estou afim de falar muito. As vezes parece que a ficha quase vai cair, mas não cai. Uma hora com certeza vou cansar de pensar numa coisa que não existe mais e que talvez só tenha existido na minha cabeça. Mas e se eu te dissesse que sou o culpado de todas suas horas iguais? E que eu quase posso ver seu reflexo na Lua? E te ouvir cantando as músicas mais chorantes? E que mudaria minha vida por você? E que eu quase posso torcer seu pescoço virtualmente quando penso em você dizendo as mesmas coisas que dizia pra mim e, provavelmente, pra uma monte de gente, para mais uma ingênua alma? E milhões de coisas que você acha que eu posso simplesmente escolher sentir, mas que quando acontece contigo é porque é verdadeiramente incontrolável? Ainda seria ilusão? Será que você poderia me explicar como desativar tudo isso?

Fica bem.