Adeus, amor

Por muito tempo não acreditei em amor e no que se podia fazer em seu nome. Delegava tudo a comportamentos e vícios. Então venho alguém e me fez aprender que ele existia, de uma forma, e amei profundamente. Aliás, amo. Que outra explicação eu poderia ter ao deixar cair uma lágrima de felicidade em ver meu bem querer feliz, e não mais angustiada, com sua nova paixão?

Senti que tive uma missão cumprida, mas não podia abandonar o posto de anjo sem se despedir da minha joia. Me causou satisfação ter podido ter essa derradeira entrevista, embora não tenha me feito entender, embora tenha sentido ainda mais afiada sua indiferença.

A satisfação virou um pouco de vazio, que virou saudade e tristeza. Em uma palavra apenas: destruído. O que sobra de mim é outra coisa diferente do que tenho sido. Não, não é um drama, não vou ver as coisas mais claras e melhores depois, já vi tudo. Tenho orgulho do meu amor, eu fiz o que tinha que ser feito, da melhor forma que eu podia e sei que fiz melhor do que a maioria das pessoas chegarão a fazer. Claro, que faltaram coisas essenciais, atitudes mais firmes, cuja falta me defendo por ter tido uma oponente muito brava em se esquivar dos intentos. Entretanto, apesar de saber que me superei, também sei que tal feito foi inútil.

Tudo meu deve ser mais importante do que qualquer pessoa agora. Parabéns pra mim? Esse deveria ser o normal? Eu preferiria nunca aprender a viver nesse mundo insensível. Já não tenho céu ou inferno, altruísmo e agora estou perdendo a empatia. Não quero ser um peixe de aquário e estou cansado do alto-mar. Não dá para se defender dos tubarões sem ser um deles.

Na verdade, eu não quero nada. O jogo já deu pra mim. Amor existe, mas não vale a pena.