Ps: eu te amo

Ontem alguém me perguntou se eu já tinha visto o filme P.S. I love you e, como a resposta foi negativa, me fez um resumo da história, que trata de uma mulher que recebe cartas do marido morto. Adorei a ideia por 10 minutos. A vida não cansa de ser irônica e entrei de “acidente” no meu hotmail que não uso como e-mail e já estava deslogando quando vi em meio a dezenas de SPAM um nome conhecido. Meses de vigilância me deixaram craque em ver seu nome em tudo quanto é lugar, até onde não existe e lá estava, uma carta antiga do meu amor que, apesar de não estar morto, já não quer existir na minha vida.

“Eu ia te mandar por uma carta, mas eu senti uma urgência tão grande de falar que precisei mandar por aqui.”. Eu também precisava escutar ou ler tudo o que estava nela. O único “te amo” que eu quisera ouvir por meses estava nela. Isso me deixou tão tonto que eu perdi a noção do tempo. Não lembro mais onde estávamos em 16 de novembro e costumo saber tudo.

Não sabia o que era chorar nesse ano e chorei cada palavra lida e continuei assim toda a noite e enquanto escrevo esse desabafo. Não quero falar com ninguém sobre isso, então, meu amigo, não me pergunte nada e finja não saber de nada. Eu estou bem. Triste porque me trouxe lembranças, uma delas a da perda. Alegre por ler algo “novo”, por saber de coisas boas. Com raiva por que só li agora.

Não que as coisas seriam diferentes se eu tivesse lido antes. Ela não tem a menor ideia do que me faz mal, e com a desculpa de não me fazer mal, me fazia parecendo que por querer. Tenho um problema muito grande com esperar que as pessoas sejam lógicas. Não me conformo de alguém não me querer e mesmo assim ter ciúmes de uma amizade, deixar de falar comigo por isso. A mesma pessoa que dias depois de terminarmos já estava fazendo declarações de amor à outra. Não lembro disso com mágoa, apenas invoco, em vão, a coerência.

Taí nossa maior diferença. Enquanto eu vejo e valorizo o que sobra, ela se prende ao que falta. Amor perfeito não existe, é uma ilusão. Não daríamos certo porque fizemos coisas erradas que não tem conserto, definitivamente não é esse o problema. Não daríamos certo porque ela acha que pode ter coisa melhor, simples e reto. Ela teria que passar ainda por todas as pessoas canalhas que falta para amadurecer e eu não vou esperar por isso, não tenho esse tempo.

A vida esse ano está decidida a debochar da minha cara. Antes me traz de volta a coleguinha da oitava série para quem eu mandava cartas. E ela tinha que me dizer que as guardou por 12 anos e que sempre que estava triste as lia porque sentia o carinho delas, antes de sumir de novo. Não quero crer que eu só sirva para deixar as pessoas bem quando elas estejam na pior. Enfim, eu devo ter muita culpa nisso e vou refletir e tentar aprender com tudo isso. Isso me afeta porque ainda sinto falta. Por enquanto, vou para a minha caverna antissocial por umas horas ou uns dias. Beijos, não me liguem.

Ps: te amo também