Desalento

Em algum dia de outubro de 2012

Eu tô aqui, só olhando ela reclamar de tudo. Tenho vontade de ir lá agarrar, sacudir e mostrar que não está sozinha, mas eu não posso. Estou caminhando sentido a um estado letárgico quando se trata dela. Olho e não consigo reagir. Sempre estive aqui, nunca fui embora, mas faz questão de mostrar que está só e que ninguém se importa com ela.

Acho que estou encontrando o limite do meu amor. Ele fica perto do da dignidade. Ainda dói, mas eu não ligo. Não sou sádico, não gosto do que sinto. Mas fugir a essa altura não tem sido nada útil. Com cada vez menos vontade de dizer o que penso. Me importando cada vez menos com o que pensa de mim. Eu dei as cartas, ensinei as regras, não posso jogar pelos dois.

Tempos imediatos, resultados instantâneos. Não me adapto a essa época. Eu não quero amor de volta, quero é participar. Ou queria. Queria pelo menos que soubesse que eu faria por ela o que não faria por mais ninguém neste momento. Que não me respondesse com surpresa ou com dúvida. Que não se importasse com as dezenas de pessoas que ela mal vai lembrar do primeiro nome em um par de anos.

Amo, mas estou cansado de andar sozinho. Preciso procurar pessoas que queiram ser amadas. Que queiram compartilhar. Todo dia me aparece uma dúzia de candidatas, cada uma com uma qualidade diferente, algo encantador. Mas eu sempre esbarro na mesma questão: e meu docinho?

Obviamente, não quero a resposta certa. Prefiro continuar olhando de longe até não poder mais. Reclama dos amigos perdidos do passado e penso: o que ela está fazendo para, no futuro, não reclamar dos perdidos no presente? O que ela estará fazendo para não lamentar a minha desistência?